terça-feira, 6 de abril de 2010

Revista Veja publica matéria distorcida sobre a UFRB






A UFRB esclarece alguns equívocos cometidos na reportagem “Pecados Pouco Originais”, publicada na edição 2.159 da Revista Veja (primeira semana de abril de 2010):


1) É insólito e inédito o princípio defendido pela Revista Veja de que a demanda de uma universidade é aquela estabelecida pelo município de sua sede. A Bahia tem a segunda pior proporção nacional de matrículas em universidades federais para cada mil habitantes e, por isso, precisa ter o número de universidades públicas ampliado em seu território, inclusive por respeito ao princípio federativo;

2) a UFRB é multicampi e possui centros de ensino em 4 cidades do Recôncavo, (Amargosa, Cachoeira, Cruz das Almas e Santo Antonio de Jesus, além do anexo do CAHL em São Félix), não se restringindo ao município de Cruz das Almas, como afirma a matéria;

3) o projeto de implantar uma instituição pública de ensino superior no Recôncavo da Bahia tem origem no Segundo Império, nos meados do século XIX. Trata-se de uma das primeiras regiões urbanizadas das Américas e, ao contrário do que afirma a reportagem, está entre as regiões mais densamente povoadas do interior do Brasil;

4) a UFRB foi avaliada em 2007, apenas em um curso de graduação, herdado da UFBA. Após avaliações de outras variáveis o Índice Geral de Cursos (IGC) da UFRB foi corrigido para 3 (três), em uma escala que vai de 0 a 5;

5) a foto da sala de aula exibida na reportagem foi tirada de um dos cursos noturnos do campus de Cruz das Almas. Os cursos noturnos passaram a ser oferecidos mais recentemente na UFRB. A imagem publicada não corresponde à dinâmica da realidade da maioria dos cursos da nossa instituição. No que diz respeito aos cursos diurnos, a elevada procura dos mesmos determina inclusive a previsão da construção de novos prédios, fundamental para evitar um colapso na infra-estrutura de apoio às atividades acadêmicas da UFRB.

Recebemos o jornalista da revista Veja, João Figueiredo, no gabinete da Reitoria da UFRB, no dia 31 de março. Na UFRB, priorizamos o atendimento a todos os profissionais de imprensa que nos procuram. Entretanto, não podemos deixar de registrar a nossa surpresa com a forma desrespeitosa e preconceituosa com que esta Universidade foi tratada e com a manipulação grosseira verificada na referida matéria,
escrita pela jornalista Roberta de Abreu Lima.

Em sua primeira indagação, felizmente não publicada, o repórter da Veja se referiu à UFRB como um “elefante branco no meio do sertão”. Além de grosseira, a pergunta demonstra um total desconhecimento da realidade brasileira e da geografia de nosso País. Como sabemos, a UFRB está situada no Recôncavo, região, por princípio, litorânea. Noutro momento o jornalista perguntou qual o sentido de uma universidade pública naquele deserto. Explicamos que, segundo historiadores e geógrafos, estávamos numa região de vida urbana notável desde a época colonial. Todas as perguntas foram respondidas, inclusive repetidamente, dada a prática do jornalista de repetir a mesma pergunta duas ou três vezes. A entrevista durou cerca de 90 minutos. As respostas apresentadas sobre os temas abordados na reportagem não foram em quaisquer dimensões incluídas na matéria publicada. Portanto, é difícil entender os motivos de tantos equívocos.

Este é um episódio lamentável. A revista Veja é um poderoso veículo de comunicação e exatamente por isso não tem o direito de desconhecer a história do Recôncavo.



Atenciosamente,



Paulo Gabriel Soledade Nacif

Reitor
PEDOFILIA


O Papa é POP!?

Americanos querem levar Papa para o banco dos réus por casos de abuso sexual; Vaticano prepara a defesa de Bento XVI.


                         


RIO - O Vaticano prepara a defesa do Papa Bento XVI de mais um caso de pedofilia envolvendo a Igreja Católica americana em que três cidadãos de Kentucky pretendem colocar o Pontífice no banco dos réus por negligência e encobrimento dos abusos de menores, cometidos enquanto Bento XVI chefiava a Congregação da Doutrina da Fé. Os advogados do Papa afirmam que, como chefe de Estado, o pontífice tem imunidade, argumento anteriormente aceito pelo Departamento de Justiça em um caso semelhante, no Texas, em 2005. O advogado que representa as três vítimas de Kentucky, William McMurry, nega, no entanto, que se trate de um argumento válido, segundo o jornal "El País". - Este caso já passou por um juiz federal que negou que o pontífice tenha imunidade. No caso do Texas, o Papa foi acusado diretamente dos abusos. Isso é outra coisa: se acusa a uma pessoa, Joseph Ratzinger, de ter encoberto abusos e protegido os responsáveis pelos abusos quando era cardeal e encarregado de supervisionar os bispos - explicou McMurry ao "El País".

O advogado que, ainda, que o caso se transforme em uma ação civil coletiva para representar todas as vítimas de abuso nos Estados Unidos. Na quarta-feira, Jessica Arbour, advogada na Flórida que representa uma vítima de abuso no país, divulgou uma carta enviada pela Santa Sé à Arquidiocese de Miami em 1968 em que é aprovada a acolhida do padre Ernesto García-Rubio, fugido de Cuba por "sérias dificuldades de natureza moral (homossexualidade)". Segundo advogada, na época, o termo era usado para se referir À pedofilia.

No caso que McMurry representa, o Vaticano argumentará que os integrantes da Conferência Episcopal americana não são assalariados do Vaticano e que, portanto, o Vaticano não pode ser considerado responsável. Nas provas de acusação, o advogado incluiu o documento conhecido como Crimen Sollicitationis, emitido por Roma em 1962, no qual se assegura que os abusos pedófilos estão protegidos pelo "segredo do Santo Ofício". Os advogados do papa defenderão que esse texto não recomenda expressamente aos bispos que não avisam a polícia dos casos de abuso.

Esse é o primeiro caso que a Justiça dos Estados Unidos tenta decidir se as vítimas podem levar o Vaticano diretamente a juízo.

- É uma idiotia. A Igreja não é uma multinacional tabagista. Não se pode acusar o Santo Padre pelos delitos de alguns sacerdotes. Nós não somos seus empregados e ele não pode ser responsável em casos específicos. Cada bispo controla sua diocese - comentou Filippo di Giacomo, sacerdote e especialista em direito canônico. - Se a jurisprudência americana considera o Santo Padre responsável pelos sacerdotes que abusaram de crianças em 1962, então o Tribunal Vaticano poderia convocar em juízo a Casa Branca pelo assassinato do arcebispo de San Salvador, Óscar Romero, assassinado em 1980 por sua contra a ditadura americana imposta naquele país. Vamos ver se Obama vem depor aqui - acrescentou.
CARTA ABERTA AO PRESIDENTE DE CUBA


Carlos Moore




Carta Aberta ao Presidente de Cuba



Salvador, Bahia, 17 de Dezembro de 2008





Sua Excelência General de Exército Raúl Castro Ruz

Presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros

Conferência de Chefes de Estado e de Governo da América Latina e do Caribe,

Costa do Sauípe, Bahia, Brasil



Senhor presidente,

Se me dirijo a V. Ex.ª por meio desta Carta Aberta é porque essa é a única forma que tenho de chegar diretamente a V. Ex.ª, e também porque quero que meus concidadãos e todos aqueles que no mundo se interessam pelos problemas vitais de nossa época, se inteirem do que aqui exponho.

Tanto V. Ex.ª, descendente de europeus nascidos na Espanha, como eu, descendente de africanos nascidos no Caribe, somos Cubanos, mas esse fato não nos confere nenhum privilégio específico como humanos, a não ser o direito de ter uma voz nos destinos do país em que nascemos. Uso desse direito sem apologia.

Sei que um mundo de divergências separam nossas respectivas concepções sobre a vida, as relações sociais, a maneira de conduzir os destinos de nosso país e, enfim, a interpretação daquelas realidades que impactam a vida cotidiana dos cubanos de maneira negativa. Mas, V. Ex.ª, como mandatário de nosso país, e eu como cidadão desse mesmo país, temos em comum o fato de que, sejam quais forem nossas divergências, compartilhamos a responsabilidade de transformar nosso presente social, assim como a responsabilidade de modelar nosso futuro coletivo como nação. Da ação ou inação de cada cubano, seja qual for sua condição social, gênero, raça, orientação sexual, ou convicção política, dependerá o porvir de todos.

Sempre apoiei e respeitei a soberania nacional e, por isso, sempre me opus a qualquer medida, seja o embargo econômico ou as ameaças contra o território nacional, que puderam colocar a independência de Cuba em perigo ou lesar os interesses de sua população. Mas também, e pelas mesmas razões, sempre advoguei pelo direito inalienável do povo de Cuba, ou de qualquer povo, a dirigir seu próprio destino mediante instituições representativas e com dirigentes que sejam eleitos em campanhas livres e verdadeiramente democráticas; isto é, em eleições onde estão colocadas diferentes idéias representadas por movimentos e partidos organizados, com plataformas políticas e propostas sociais realmente independentes e diferentes. Estimo que, só assim, pode um povo exercer seu direito de optar pelo que melhor lhe convenha. Portanto, sou inimigo de qualquer ditadura ou sistema totalitário, seja da chamada direita ou da denominada esquerda, e não compartilho da opinião de que a democracia seja um luxo reservado aos burgueses.

Não vou fazer rodeios para manifestar a V. Ex.ª minha sólida convicção de que o racismo, fenômeno que impera em nosso país e que cada vez cobra novos espaços na vida política, econômica e cultural da nação, é o maior, mais grave e mais tenaz problema que confronta a sociedade cubana.

Se deixarmos de lado os discursos grandiloquentes, mas vazios, e as declarações contundentes, mas enganadoras, sobre a suposta supressão do racismo e da discriminação racial em Cuba, aparecerá diante de nossos olhos um mundo concreto de desigualdades e iniquidades sócio-raciais que foram estruturadas por séculos e séculos de opressão racial e de ódio contra a raça negra. Esse foi o mundo que concretamente herdou a Revolução que chegou ao poder em 1959, mas que os dirigentes desta última se mostraram incapazes de interpretar corretamente, por serem homens e mulheres procedentes, como eram, das classes médias brancas que sempre dominaram o país e monopolizaram sua direção política e econômica.

A hegemonia branca, com seu concomitante racismo, é uma realidade histórica que o governo revolucionário, longe de destruir, contribuiu para solidificar e estender quando declarou a inexistência do racismo, o fim da discriminação racial e o advento de uma sociedade de “democracia pós-racial” socialista. Isso significa que tanto os dirigentes da Revolução que tantas transformações sociais benéficas trouxeram para nosso país, como o povo que lhes deu seu apoio ao processo revolucionário, eram reféns do mesmo passado brutal nascido do ventre da escravidão racial que impuseram os europeus nestas terras americanas. Desse ventre monstruoso surgiu uma sociedade racista. Por tanto, Cuba é hoje um país que fala com duas vozes totalmente distintas, uma branca e outra negra, ainda que, às vezes, essas tenham se fundido, temporariamente, em momentos específicos de nossa história comum.



Senhor presidente,

É um fato sabido que a Cuba socialista foi o único país no mundo que proclamou, publicamente, que havia eliminado o racismo e a discriminação racial, e que havia empoderado a população negra. Consequentemente, o governo revolucionário reprimiu, perseguiu e forçou ao exílio todos aqueles negros, intelectuais ou trabalhadores, que sustentaram o contrário. Para esses últimos, foram reservados os campos de trabalho forçado, as prisões, o manicômio ou o exílio. Eles foram tidos como “racistas ao contrário”, “racistas negros”, “contra-revolucionários”, “agentes do imperialismo”, e até como “instrumentos da CIA”.

Grandes pensadores negros, como o Dr. Juan René Betancourt Bencomo ou o professor Waltério Carbonell, pagaram um preço muito alto por haverem se levantado contra a doutrina racial que foi erigida em política de Estado durante cinco décadas e que consistiu em negar a existência da opressão racial e do racismo em Cuba sob a Revolução. É por essa razão que hoje os olhos do mundo se voltam cada vez mais para nossa suposta “democracia pós-racial” para saber por que o regime revolucionário destruiu aqueles que se negaram a conviver com essa Grande Mentira.

Cuba é um país onde uma revolução conseguiu derrubar os velhos privilégios de uma oligarquia republicana corrupta e submissa ao estrangeiro, mas onde, até o dia de hoje, a população de raça negra, majoritária no país, está confinada a jogar um papel de subalternidade. As honrosas exceções negras que ascendem à cúpula do poder o fazem unicamente com o beneplácito da elite dominante, predominantemente de origem européia, e confirmam assim a realidade, também dominante, baseada na subalternidade da raça negra em Cuba, depois de meio século de revolução socialista. Essa é a realidade. E negá-la seria persistir na Grande Mentira.

O racismo é a última fronteira do ódio entre humanos, precisamente porque raça é a mais profunda e duradoura linha divisória que determina quem tem acesso privilegiado e protegido aos recursos da sociedade, e a quem é vedada qualquer oportunidade de usufruto desses mesmos recursos. O racismo é uma estrutura de distribuição diferenciada, racialmente seletiva, dos recursos da sociedade e do planeta, que se perpetua através do monopólio do poder político. Portanto, trata-se de um modus operandi permanente, não de uma aberração; de uma estrutura de poder total que funciona maravilhosamente bem para garantir a permanência do domínio de uma raça especifica em detrimento das outras, e não um mero reflexo das simpatias e antipatias que surgem do jogo interpessoal.

A maioria dos dirigentes cubanos, revolucionários e marxistas, é branca num país onde a maioria da população é negra. Qual seria a razão para isso? E porque razão o racismo persiste e se expande constantemente, abarcando cada vez mais espaços da sociedade cubana, e impregnando as estruturas mentais individuais e coletivas em Cuba? O poder é branco em Cuba, e a discriminação racial contra os negros cubanos se mostra cada vez com mais força, unicamente por causa do racismo. O racismo se reforça constantemente, não somente em Cuba, mas em todos os países, precisamente pela mesma razão: porque funciona positivamente para aqueles que, em função de sua raça, se beneficiam do acesso racialmente seletivo aos recursos da sociedade. Se não fosse assim, o racismo teria desaparecido há milhares de anos, como desapareceram tantas realidades que surgiram da imaginação criativa do ser humano.



Senhor presidente,

O objetivo desta carta é contribuir com o debate que está sendo levado a cabo em nosso país sobre o rumo que haverá de tomar a nação num momento crucial de sua existência; momento que deverá enfrentar os desafios do novo milênio com políticas novas e verdadeiramente inovadoras que resolvam os problemas que atingem nossa sociedade. Com esse objetivo, quero propor a V. Ex.ª um conjunto de medidas mínimas que me parecem necessárias para começar o processo que nos leve, posteriormente, todos os cubanos anti-racistas e nacionalistas, a desafiar e superar a herança do passado. Esse passado se manifesta hoje nas desigualdades raciais que debilitam a unidade nacional, particularmente em momentos em que Cuba tem a possibilidade, pela primeira vez em cinquenta anos, de resolver seu litígio com os Estados Unidos de maneira pacífica.

Mas seria hipócrita e imoral pedir o cessar do embargo/bloqueio que os Estados Unidos injustamente impuseram a Cuba, sem que os dirigentes de Cuba se comprometam, também, a levantar o embargo/bloqueio que o regime revolucionário impôs à população majoritária do país desde o início da Revolução. Ambos os embargos/bloqueios devem ser levantados, simultaneamente, sem pré-condições de nenhum dos dois lados. E, por meio desta carta, quero contribuir para que nosso país, atualmente sob seu comando, encontre a melhor maneira de alcançar esse objetivo em meio a um consenso formado na unidade nacional. .

Concretamente, sugiro, como um primeiro passo, que seu governo tome, sem demora, as seguintes medidas:

• Estabelecimento de um estado social de direito como pré-condição do exercício democrático da cidadania cubana; prescrição de todas as práticas discriminatórias, sejam de natureza política, de gênero, de raça, de orientação sexual ou de confissão religiosa; libertação de todos os presos políticos em Cuba e dos presos de consciência.

• Extinção da proibição que foi colocada judicialmente contra as “Sociedades de Cor”, instituições históricas que formam parte do patrimônio cultural dos negros cubanos e que são indispensáveis como esferas diferenciadas de organização da raça negra em Cuba; restauração do direito de existência e de organização dessas Sociedades, conforme a existência em Cuba de organizações do mesmo tipo a favor de outras etnias (tais como, as organizações de cubanos de origem chinesa, basco, galego, hebreu, árabe); autorização de qualquer organização propriamente negra (cultural, social, desportiva, estudantil, política ou artística) cuja finalidade seja a luta contra o racismo e a discriminação racial.

• Reabilitação de todas as figuras históricas e pensadores negros proscritos e/ou silenciados ao longo da história de Cuba, antes e depois da Revolução, assim como a publicação das obras de militantes negros que lutaram pelo fim do racismo e da discriminação racial (Rafael Serra, Evaristo Estenoz, Pedro Ivonnet, Ramón Vasconcelos, Gustavo Urrutia, Juan René Betancourt Bencomo, Walterio Carbonell ….).

• Condenação oficial do genocídio perpetrado pelo Estado cubano em 1912, contra a população negra, fato que, até hoje, o Estado não reconheceu de maneira oficial; reabilitação do programa político do Partido Independente de Cor (PIC) e de seus lideres históricos (Evaristo Estenoz, Pedro Ivonnet e outros), visando o restabelecimento da memória histórica nacional.

• Autorização para a criação de um organismo nacional autônomo de Negros Cubanos, na forma de uma Fundação Nacional para Fomento do Desenvolvimento Econômico da População Negra (FUNAFEN), para atender aos graves problemas sócio-econômicos que enfrenta a população negra e com atribuições para obter fundos de caráter nacional e internacional para melhorar as condições de vida nos bairros mais pobres; criar novos programas específicos para a capacitação profissional de jovens afro-cubanos que os prepare para as demandas da economia nacional e global.

• Adoção, por parte do Estado, de novas medidas com relação às remessas que seus cidadãos recebem do exterior (e estimadas em 1.5 bilhões de dólares por ano, dos quais menos de 15% chegam às mãos da população negra); adoção de uma carga impositiva sobre essas remessas, que deveria estabelecer 10% ao invés dos 20% atuais; e o 50% deste último imposto, recolhido pelo governo, deverá ser incorporado automaticamente à FUNACEN, atendendo ao fato de que as remessas do exterior favorecem o incremento vertiginoso das desigualdades raciais em Cuba.

• Autorização para a convocação, por organizações autônomas dentro de Cuba, e sem interferência dos órgãos do poder, de um Congresso Nacional sobre o Racismo e a Discriminação Racial; autorização para que intelectuais e militantes Afro-cubanos independentes, residentes em Cuba, possam participar de uma Mesa Redonda de Nacionalistas Cubanos do interior e da Diáspora, com a finalidade de discutir estratégias de combate ao racismo em Cuba.

• Autorização para a criação de um Observatório Nacional para monitorar a situação racial em Cuba e trabalhar a favor da eliminação das práticas racialmente discriminatórias de qualquer tipo, seja no domínio público como no privado.

• Adoção de medidas e políticas concretas que dignifiquem e façam respeitar o fenótipo associado à raça negra e que é objeto em Cuba de rejeição e de ridicularização, especialmente no caso da mulher negra; projeção positiva do fenótipo do afro-cubano em todos os meios de comunicação de massa, manifestações culturais e formas de representações artísticas, com o fim de combater o escárnio racista dirigido maciçamente às características raciais da população de herança africana (nariz, lábios, cor, cabelo crespo, morfologia…).

• Criminalização formal do racismo e da discriminação racial em todas as esferas da vida nacional sem direito a fiança, conforme já existe no Brasil (Lei Caó); proposta à Assembléia Nacional de novas legislações especificamente designadas para punir qualquer tipo de manifestação de discriminação ou humilhação racial na esfera pública ou privada.

• Reconhecimento pleno da mulher negra cubana como protagonista extraordinária da dignidade nacional, mas que sofreu e continua sofrendo duplamente a discriminação; lançamento de uma campanha nacional em prol da revalorização do fenótipo específico da mulher afro-cubana; autorização para a criação de uma Organização de Mulheres Afro-cubanas, totalmente independente da Federação de Mulheres Cubanas (FMC) e com capacidade para buscar financiamento externo.

• Reconhecimento da existência de maiorias orgânicas no país, atendendo principalmente aos parâmetros de sexo e raça, que deverão refletir equitativamente em todos os órgãos de decisão política, econômica e cultural, considerando que mais de 60% da população cubana atual é de origem africana; estabelecimento de um mecanismo de representatividade progressiva que garanta a presença efetiva da população Afro-cubana em todos os níveis e em todas as instâncias do país, e que, para começar, deverá alcançar nos próximos cinco anos 35% das posições-chave do Partido, do Governo, do Parlamento, das Organizações Populares, da direção das Forças Armadas e do Ministério do Interior, dos meios de difusão de massa (em especial o cinema e a televisão), da indústria turística, e das empresas mistas criadas com capital estrangeiro.

• Reconhecimento oficial e respeito efetivo das religiões Afro-cubanas, em pé de igualdade com as demais religiões em Cuba, mediante a instauração de um mecanismo de diálogo permanente da direção política do país com as referidas religiões, como se fez com as religiões cristãs, conferindo-as, assim, o lugar que legitimamente lhe é de direito, e que impulsionaria o processo de consolidação da identidade nacional e cultural; interrupção imediata de todas as práticas oficiais ou extra-oficiais que resultem na interferência, folclorização e exploração para fins turísticos das religiões de origem africana, adotando-se medidas penais adequadas que impeçam sua discriminação, como deve ser em um estado laico.

• Imposição de lei, em todos os níveis do sistema educativo, do ensino da História da África e dos povos de origem africana nas Américas, como já fez o Brasil (Lei 10639/03); publicação das obras de referência mundial que elucidam a história da África em todos os seus aspectos, e daquelas obras que evidenciam a história do próprio racismo; desenvolvimento dos estudos e pesquisas sobre a problemática afro-cubana na história e na sociedade, a fim de fortalecer a identidade nacional e levantar a auto-estima da pessoa negra; criação de disciplinas de estudos afro-cubanos nas universidades e de centros de estudos étnico-raciais extra-muros.

• Implementação de políticas públicas de ação afirmativa, como uma estratégia global capaz de conduzir a uma equiparação sócio-econômica daqueles cidadãos que, por causa de sua origem racial, sofrem desvantagens historicamente construídas, como consequência de serem descendentes das populações africanas que foram escravizadas em Cuba, e que, por tanto, seriam uma forma concreta de reparação moral para a população negra.

• Realização de um censo nacional baseado em parâmetros científicos modernos como base para avaliar a extensão das injustiças sociais que afetam desproporcionalmente a população Afro-cubana, e atendendo ao fato de que os resultados dos censos realizados nos últimos cinquenta anos merecem total desconfiança.



Senhor presidente,

Pessoalmente, estou convencido de que V. Ex.ª tem consciência da gravidade do momento e da pouca margem de manobra que teria qualquer dirigente em sua posição. Contudo, a seu favor, acorrem certas circunstâncias próprias que devem ser aproveitadas, se o objetivo é salvar as conquistas sociais que o povo de Cuba obteve através da Revolução de 1959. Considero como algo benéfico, para V. Ex.ª e para Cuba, precisamente, o fato de que V. Ex.ª não seja um líder carismático tradicional, o que lhe permite ser, em contrapartida, um dirigente realista e pragmático, capaz de reconhecer o perigo quando o vê.

Estou convencido de que os numerosos dispositivos de inteligência que V. Ex.ª tem sob seu comando, a grande quantidade de institutos de pesquisa social que o regime revolucionário criou ao longo das décadas para analisar a realidade social e tomar o pulso da população, proporcionou suficientes dados sociológicos, empíricos e abstratos, que permite concluir que algo novo está acontecendo na consciência coletiva da população negra majoritária e que esse “algo” não poderá ser satisfeito a não ser com um empoderamento efetivo, a partir de formas de organização legitimamente populares e surgidas de baixo.

Chegou o momento de mudar drasticamente, e num tempo mais rápido possível, a situação da população negra em Cuba, atendendo tanto à urgência que sentem aqueles que nunca tiveram o poder, e aos problemas gigantescos com os quais têm de se confrontar. Mudanças profundas devem ser feitas agora, sem qualquer pretextos ou estratégia de retardos, sem demora, para modificar de maneira radical, permanente e abrangente o panorama sócio-racial da sociedade cubana. Não há tempo a perder: cada minuto de espera é uma porta aberta a situações imprevistas e difíceis de serem controladas, na medida em que apareçam.

Seria perigoso continuar a pensar que “aos negros não interessa o poder”, e continuar postergando aquelas medidas sem as quais não pode acontecer o empoderamento verdadeiro da população que é maioria em Cuba. É por isso que nas mãos de V. Ex.ª está atualmente a possibilidade de fazer uma ruptura completa com o passado e fazer o que nenhum dirigente que o precedeu se atreveu a fazer: trabalhar a favor do empoderamento efetivo daqueles que, há mais de trezentos anos, vivem em um estado permanente de Período Especial.

Falei a V. Ex.ª em meu nome, e só em meu nome. No entanto, sei que as opiniões emitidas nesta carta têm eco naquelas que cada vez mais estão sendo formuladas no país. E eu sei que V. Ex.ª sabe disso.



Com muita deferência e saudações nacionalistas,



Carlos Moore

Etnólogo e Professor de Relações Internacionais
AMÁLGAMA NEGRA, entrevista:

• Srtª. Vitória (Vicky)



01 – Nome, naturalidade e profissão?


Vitória Souza, paulistana – Analista Fiscal


02 - Orientação sexual?


Homossexual


03 – Em que momento da sua vida, você se percebeu homossexual?


Na verdade eu sempre tive um jeito BOY de ser, desde criança eu sempre corria atrás das pipas na rua com os garotos jogando futebol, era engraçado! Na escola o preconceito começou desde pequena, sempre me chamavam de “Maria Macho”, eu achei que lésbicas só existiam nos USA. Eu gostava muito das minhas amigas, e tinha uma que se destacava. Eu fazia de tudo para estar com ela, mal sabia que era amor.

Aos 12 anos, numa brincadeira de verdade ou desafio, eu beijei uma garota. Adorei! Contudo, eu mesma tinha preconceito e decidi esquecer este fato.


04 – Há poucos dias, o cantor porto-riquenho, Ricky Martin, declarou a sua homossexualidade para o mundo. Como foi a sua “saída do armário”?


Nossa, nem me diga! Tudo aconteceu no ensino médio, entrei em um colégio onde era popularmente chamado de “escola GLS”, o nome era LEOPOLDO SANTANNA era o colégio modelo rígido, logo no primeiro dia 3 garotas perguntaram-me:


- Você Curte?


Eu me assustei, só tinha beijado uma garota na vida e comecei a conviver com a realidade que lésbicas também existiam no BRASIL. (Risos)

Ao beijar uma garota dentro do banheiro, o coordenador PEGOU-me. Na outra semana, conheci o álcool, e fiquei totalmente alcoolizada.


O coordenador chamou minha mãe, contando o ocorrido e disse:


- Sua filha é SAPATÃO!


Em casa, eu tive que assumir pra família toda, minha orientação; sem ao menos saber o que de fato eu queria; foi barra! Até hoje eles não aceitam. Contudo, o respeito existe.

Desde muito cedo, tive que provar para meus pais, que ser homossexual não é sinônimo de ser “maloqueiro”, após “trair” a confiança deles, quando o coordenador contou sobre minha sexualidade, foi uma grande trajetória até que eles compreendessem que eu posso ser alguém, mesmo sendo Eu. Eles sofreram com comentários dos vizinhos, fofocas nas esquinas e diversas situações amargas. Sinto falta do apoio deles, porém, fico suficientemente feliz com o respeito. Dói em saber que não poderei trazer minha namorada em casa, e assistir um filme, como faz qualquer casal normal.



05 – Ser homossexual ainda é ser “diferente” no Brasil?


Sim, ainda é extremamente “diferente”. Nas ruas, as pessoas, olham e apontam; fazem comentários ridículos. Infelizmente a cultura brasileira consiste que o homem nasceu pra mulher. Acredito que todos nós nascemos bissexuais, e a sociedade nos induz ao heterossexualismo. Quem não sentiu atração pelo mesmo, foi pelo simples fato de não experimentar.


06 – Vicky, como é ser homossexual em São Paulo?


São Paulo subdividem-se em dois grandes pólos: nos arredores da Paulista, Consolação, República e Augusta, notamos gente cheia de vida e alegria pelas ruas; pessoas bem vestidas e cheias de charme, andando de mão dadas no Shopping Frei Canecca; é uma realidade dentro da normalidade, poucos olhares lhe incomodam, as pessoas são discretas, passo meu final de semana neste mundo, já na periferia, qualquer demonstração de homoafetividade é motivo de “comentários”. É difícil conviver nestes dois mundos.


07 – Você participa da “Paradas Gay” em sua cidade? Qual a representatividade deste evento, a meu ver, político e estético?


Comecei a freqüentar PARADAS GAYS, em meados de 2006, nesta época em São Paulo, ainda tinha como objetivo reivindicar os direitos dos homossexuais, afinal, casais Gays possuem por volta de 26 direitos a menos, que os casais heteros. Uma discriminação que já vem da LEI. Hoje, notamos que a PARADA é uma festa de rua, um carnaval fora de hora, onde há muito assalto e aglomeração. Corroeu o sentido de lutar pelos direitos e, hoje, é vista somente, como mais um evento em São Paulo.


08 – Vicky, qual o seu cotidiano em São Paulo?


Eu trabalho e faço faculdade. No final de semana, aproveito pra “FERVER”! Curtir o máximo da noite nas baladas GLS e bares por aqui, estes são convidativos, torna-se fácil passar uma noite inteira, repleta de gente igual a você! Beijar alguém sem preocupar-se com os olhos da sociedade é como voar, e libertar-se de toda pressão do trabalho.


Há diversas opções, paga gostos, bolsos e tribos; o melhor das baladas GLS é que não HÁ brigas, como nas baladas heteros de São Paulo.


09 – O vencedor do último Big Brother Brasil – BBB 10 – foi o Marcelo Dourado, que por várias vezes externou a sua homofobia no cotidiano do programa. Na casa também tinham três homossexuais: Serginho, gay assumido; a Morango, ainda no “armário” e o Dicesar, Drag Queen. Sabe-se que o Big Brother tem a sua parcela de edição – eleição dos possíveis jogadores vencedores – mas, o veredicto final, sempre vem do público brasileiro. Como vocês analisam este último resultado, configurado pela vitória (60%) do Dourado?


Pra ser sincera, não acompanhei o BBB, acredito que este tipo de programa os vencedores são pré-determinados, não gosto!


10 – “Últimas palavras”...


Na sociedade ainda há um enorme preconceito, estas doutrinas vem da origem do mundo. Para aqueles que acreditam na bíblia, desde Adão e Eva, estes padrões, infelizmente, serão levados até que as pessoas aceitem que:


O amor está ligado a pessoas, e não a sexos.


Adorei a entrevista, o Leandro é sempre muito criativo e encantador. Obrigada pela oportunidade de expressar minhas idéias!




Vicky agradeço pela honra de tê-la aqui, no Amálgama, bem como pela coragem, consciência e verdade de ser quem é – ABSOLUTA!









Leandro Rujo/ blogueiro.

leandrorujo@gmail.com